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Não tinha texto planejado, mas segui lembrando do caminho percorrido: Pausei, refleti e transformei... Foi uma pausa, o decidir mudar e milhares de ideias que borbulham em minha cabeça. Dia após dia, me reconheço como uma panela de pressão: ideias, frases e textos... Durmo com a sensação de que tem muito por vir; acordo com a sensação de não ter dormido rs. Observo minhas últimas semanas e me vejo dentro de um casulo. O que me faz lembrar do primeiro livro que li: O caso da borboleta Atíria. Se te falar que lembro 100% da história, estou mentindo. Eu devia ter uns 8 anos quando li esse livro. Mas hoje, quando pensei nesse casulo que me nutri para uma transformação, lembrei de Atíria, de sua aventura, deficiência e bondade. Lembrei do livro e do processo de metamorfose que uma borboleta vive...


Por curiosidade, li esses dias que uma borboleta pode viver semanas e algumas espécies no máximo 12 meses... Poxa! Tanto sofrimento para viver tão pouco? Pensaria desse jeito, há anos atrás. Mas refletindo o processo de mudança e nosso vício de esperar sempre pela perfeição e pelo dia de amanhã, reflito que o estar no casulo e o processo de metamorfose faz parte da vida daquela borboleta. Em muitos casos, a lagarta se faz mais presente do que belos pares de asas... (Abro um parêntese e questiono: quem disse que a lagarta não é feliz e quem nos ensinou que o mudar dói?). Me desculpem os biólogos ou entomologistas pela falta de termos técnicos e científicos. Mas sigo refletindo e transformando meus pensamentos em prosa... E com essa prosa me questiono: seria a vida uma metamorfose eterna? Seria a borboleta o bater de asas final de nossa história?


Parece complexo, e talvez você não concorde com o pensamento que tive. Mas pondero que mudar faz parte do que sou. Percebo, dia após dia, a importância dos meus casulos, das minhas pausas e das minhas transformações. Por menores que sejam, elas refletem e me proporcionam bater de asas...


Há anos, tatuei uma borboleta em minha nuca. Por surpresa, fiz parte de uma estatística que não aceitou muito bem a tinta da tatuagem. Tenho uma borboleta “incompleta”. Sigo com ela me mostrando que quando a tatuei eu queria mudar minha vida, mudar algumas dores e me livrar de uma depressão que me acompanhava. Minha borboleta foi tatuada para me trazer mudança. Mas depois de anos percebi que só o fato de tê-la em minha pele não traria o resultado esperado.


Hoje, pensando em como o foco nas asas é maior do que o tempo no casulo, eu percebo que minha borboleta segue incompleta para me lembrar que não há asa sem transformação. E não há transformação sem ação, sem vontade e sem amor. Nos últimos anos me transformei. E hoje, a cada bater de asa da minha borboleta falhada igual a da Atíria, eu percebo que o casulo é eterno. Menos dolorido, mais aceito e mais sentido (não de dor, mas de sentimento e entrega). Percebo também que a promessa de um voar para sempre, de que não devemos mudar e devemos nos livrar de transformações é falsa e ilusória. Vislumbro que uma metamorfose, por menor que seja, faz parte do dia a dia: posso sair de um estado emocional e ir para outro ou posso mudar o dia de alguém com um simples bom dia... Posso transformar a vida de pessoas que não conheço; posso bater asas, construir meus casulos, entrar nos que desejo e simplesmente transformar os que me trazem sofrimento. A vida nos dá a oportunidade de mexer, remexer e mexer novamente. A vida é transformada segundo por segundo: basta observar a natureza...


Ignorância a nossa, pensar que como seres humanos, não devemos ter casulos e transformações. Sigo me observando, pausando quando preciso e me transformando. Bato minhas asas, independentemente do tamanho, da cor e de onde elas podem me levar. Sigo hoje, com a certeza de que minhas transformações fazem parte da minha vida e que quando eu me transformo, eu transformo o mundo...

EPSVC

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