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Pausar...

Procurei no dicionário o significado de pausar. Uma singela vontade de começar o texto de forma poética, de forma mais romântica...


O que achei? Verbo intransitivo: depois da caminhada, pausaram... Como verbo transitivo direto: confesso que gostei do sinônimo cadenciar. A palavra me deu uma sensação de conforto. Não foi julgamento ou derrota. Me fez perceber que cadenciar, se fez necessário...


Sendo assim, nas últimas semanas, cadenciei... executei meus passos com mais lentidão. E a princípio, não foi uma escolha própria. Pausei, pois o corpo pediu... Uma gripe, uma dor de cabeça e um cansaço; o externo que pausa o que somos. O externo que se mistura com o que estamos sentindo ou abusando por dentro. Entendi novamente que pausar se faz necessário, e quando não paramos, somos parados.


Eu por muitos anos me deixei adoecer por excessos, o principal deles: foi querer ser boa em tudo! Hoje, depois de tantas paradas forçadas, recebi o recado e me deixei pausar... não foi fácil com tanta coisa acontecendo atrás da porta do quarto, no corredor do hall, na rua e no mundo...Mas eu cadenciei! Não foi romântico, mas foi necessário. Pausa para continuar. Até porque, se fosse para terminar não seria pausa, seria fim. Fim de uma caminhada, de um plano, de uma história e até mesmo de uma vida.


Ao voltar para a rotina, dei uma leve surtada... percebi que a pausa, por mais física que ela tenha sido, me trouxe uma necessidade mental: refazer a bagagem. Tirei alguns pesos, refiz listas, redesenhei sonhos, preferi não ver mais tantas notícias... E lembrei de ajustar a dose do meu amor próprio na minha mochila.


Consciente do caminho percorrido, ou melhor, de onde eu parei e para onde eu escolhi continuar; eu reflito no quanto pausas conscientes devem fazer parte da nossa rotina. Infelizmente, nos acostumamos a olhar apenas quando dói ou quando algo de muito estranho acontece. Entendemos que tempo livre nesse mundo de conquista é para mulheres fracas. Somos de alguma forma conduzidas a pensar que é errado nos permitir um momento do nada: nada para fazer e nada para pensar.


Mas te digo cara leitora: eu volto da minha pausa “forçada” mais consciente, ainda cansada, mas planejando pequenos momentos de descanso por livre e espontânea vontade! Decidi organizar mais o meu tempo. Não para enchê-lo de coisas e me sentir uma super mulher. Decidi ajustá-lo e encaixar momentos meus, alguns nadas e pausas minhas não forçadas.


E você, já pausou hoje?

EPSVC

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