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Espelho, espelho nosso!

Atualizado: 1 de dez. de 2020

Mudar como nos enxergamos é muito mais do que o nosso esforço pessoal... Sei que a afirmação parece confusa; mas a cada semana que passa, entre documentários, livros e matérias que leio; me questiono de como um padrão de beleza adotado por centenas de anos pode nos levar a caminhos tão desconexos com o que somos e podemos ser. Quando eu escrevo para você se amar, olhar para o espelho e aceitar seu corpo, eu por utopia, esqueço de te falar que o processo pode não ser tão simples como eu gostaria. Aliás, até hoje eu exercito (mentalmente) o me aceitar como eu sou.


Depois de anos de bullying e de palavras grosseiras durante a época mais complexa de um ser (conhecida como adolescência), te digo claramente: palavras machucam e a visão do que somos pode ser destorcida por algumas pessoas que não se importam com seus sentimentos. Pronto! Uma insegurança se instala... Eu Fabiana, já fiz uma mini regressão na terapia e já ajustei algumas pontas com a minha menina. Sim, cara leitora, nossa menina, nossa criança nos acompanha até hoje! Tive o prazer de revisitar minha pré-adolescente na escola e a mostrei que aqueles xingamentos a levariam onde ela (eu) está hoje. Foi fácil? Claro que não! Mas foi real, muito real! Pude sentir uma energia correndo pelas últimas décadas, o que de forma mágica me trouxe força e a sensação que tenho hoje. Há exatos 3 anos preparei minha menina para as adversidades que chegariam.


Ao longo desse processo, eu na verdade, percebi que algumas dores não deveriam ter sido sentidas com tanta intensidade. Decidi assim, deixar o caminho mais leve. Comecei a me ver com outros olhos no espelho, me arrisquei e comecei a me sentir bonita do jeito que eu sou. Durante a minha caminhada, passei por centenas de momento em que me senti feia, excluída, não amada e “áspera”... Sim, pasmem! Me chamaram de “áspera” pelas espinhas no meu rosto... Por infelicidade, lembro a cena, lembro a pessoa e hoje penso: sinto muito, me perdoe, eu te amo e eu sou grata rs. Para quem não conhece, essa é uma técnica de hoponopono. Mudo a energia e sigo no caminho que preciso.


Hoje, com 34 anos, eu ainda luto com as minhas espinhas que vão e voltam rs. E particularmente na data que escrevo esse texto, eu ainda percebo a necessidade de desconstruir padrões e de me livrar daqueles que não me fazem bem. Escrevo essas linhas, revisitando a minha história e atenta ao que está em nossas voltas. Hoje, dou atenção a algo simples, mas que peço sua atenção: como estão as mulheres na sua rede social? Uma rede social com tantos filtros que podem não me fazer aceitar minha acne, meus cílios e o brilho ou falta dele nos meus olhos. Estamos vivendo numa era de camuflagem total. É novamente uma visão distorcida do que não somos, ou do que não temos força e apoio para mostrar e ser.


Eu como ex menina da moda (Sim! Trabalhei com moda por mais de 14 anos), sigo com meus questionamentos e percebo que alguns valores do mercado que atuei com tanto amor não se encaixam mais com os meus. Em vários momentos como profissional, me sentia muito feliz com as fotos e produtos que produzia. Mas nos últimos anos, fui moldando em minha cabeça que aquele orgulho em transformar uma peça (muitas vezes feia) em algo bacana na página de um catálogo, era uma mentira. Eu contratava modelos, elas eram maquiadas, produzidas e a roupa, por mais que tivesse uma cor fora de contexto, ficava linda! A foto criada para o produto de moda era uma arquitetura de um padrão que não encontramos no provador...


Quero na minha nova caminhada ter voz para propor reflexões e um desafio: que as fotos de moda sejam cada vez mais reais, sejam cada vez mais sentidas. Que bom seria se a dose de padrão e beleza que julgamos como certo e belo, pudesse ser menos “engolida” e menos comprada e vendida da forma que nos leva a frustrações e inseguranças. Como exemplo real e pessoal, eu passei horas do meu dia procurando um maiô para minhas férias. E confesso: o tamanho dos seios das modelos seguiam de um total silicone redondo a um peito pequeno e um corpo magérrimo. Acho lindo, ambos os corpos. Mas não me achei no meio de tanto site, tanta # e fotos produzidas... O resultado da busca? Não consegui comprar nada... O que dificulta nesse momento de pandemia, onde minhas compras são 100% online.


Com minha própria experiência percebi uma oportunidade de mercado (rs). E lembrei que se eu estivesse trabalhando no setor ou prestando consultoria, essa oportunidade dificilmente seria aceita. Onde já se viu postar foto de um biquíni ou um maiô com seios tão reais?


Com isso tudo, eu confirmo o que pontuei no começo do texto: o processo como nos enxergamos não é só responsabilidade nossa... A estrutura milenar onde todo esse padrão de beleza é criado precisa de uma enorme reflexão. E claro, de pequenas, médias e grandes mudanças. Se aos poucos a gente puder se reconhecer em fotos, anúncios, usar menos filtros, ou nem ter tantos para usar; seremos mulheres inteiras e mulheres que se mostram com mais segurança e empatia! Seremos mulheres que não lutarão sozinhas com sua insegurança, depressão e baixa autoestima! Seremos meninas que não chamarão a colega da escola de “áspera”. Seremos adolescentes com mais amor próprio. Seremos namoradas e esposas que não esperarão sempre e apenas o reconhecimento do outro. Seremos tias, mães, vizinhas e amigas que valorizam a beleza individual. Seremos mulheres e meninas mais felizes! Aliás, o processo como nos enxergamos não é só responsabilidade nossa, é de todas e de todos! O ESPELHO É NOSSO!


Fabiana C. O.



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